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domingo, 10 de junho de 2012

Presença de Goethe





"DESEJAIS" - dizia Benedetto Croce - "fugir da baixa atualidade e ficar sempre atual? Refugiai-vos naquilo que jamais teve atualidade!" Refugio-me em Goethe, e fico surpreendido com a sua presença.

Quarenta e cinco volumes, cheios de poemas, de tragédias, de romances, de contos, de crítica, de filosofia, de ciências naturais, de tudo aquilo quanto existe entre o céu e a terra, e alguma coisa ainda mais. É o maior poeta e o mais universal dos tempos modernos. É o supremo modelo da existência espiritual nestes tempos.

Realmente? Essa estátua impassível seria a expressão de uma vida exemplar? Fogo, entusiasmo, coerência, onde estão nesse revolucionário que acabou ministro de Estado, nesse artista que dedicou metade de sua vida à óptica e aos minerais, nesse apaixonado que representa o papel de deus olímpico? Onde está a coerência nessa multidão de obras, dois terços das quais são completamente falhos? Dessa obra que louvam sempre sem conhecê-la, o que é que ficou? Hesito em responder. Os mais belos poemas da língua alemã, ao lado de mil futilidades em versos inábeis; as Elegias romanas, única poesia moderna digna da Antiguidade, ao lado de penosas imitações classicistas; a sabedoria sonora do Tasso e da Ifigênia, ao lado de fracas peças históricas; a tempestade juvenil do primeiro Fausto, em face de comédias ridículas pela incapacidade de provocar risos. Desigualdade surpreendente. O Werther, a grande paixão, desfigurado por um sentimentalismo insuportável; os romances de Wilhelm Meister, espécie de suma da civilização humanística, quase ilegíveis por sua técnica de romance antiquada. As Afinidades eletivas, primeira obra-prima do romance psicológico, de um tédio torturante. Todas as manifestações de um enfadonho classicismo pesam ao lado da sabedoria enternecedora de um velho homem, como nessas Conversações com Eckermann. Enfim, o segundo Fausto, em que Goethe misturou os mistérios mais sublimes a futilidades inexplicáveis; fogo de artifício, onde um grande espírito se dispersa em mil cintilações luminosas. Onde está a unidade de tal obra?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Prometeu

Segue o poema "Prometeu", de Goethe, uma pérola:




Encobre, ó Zeus!
o céu com suas nuvens.
E como o jovem
que gosta de colher
cardos no campo, em teu poder conserva
o robusto carvalho e o alto cume
da espaçosa montanha.
Mas consente que eu use
essa terra que é minha,
esse abrigo que eu fiz,
e esta forja que quando faço arder,
tu, no Olimpo, me invejas.

 Nada mais pobre eu conheci, ó deuses
do que vós próprios.
Apenas vos nutris
de sacrifícios
e de preces,
dedicados a vossa majestade.
Morreríeis de fome se não fossem
as crianças, os loucos, os mendigos
que vivem de ilusões.

 Quando eu era menino
e nada conhecia,
ao sol se erguiam meus sentidos olhos
como se lá houvessem
ouvidos que escutassem meus lamentos,
e um coração tivesse igual ao meu
capaz de consolar a minha angústia.

 E quem contra insolência
da turba dos titãs me auxiliou?
Quem me salvou da morte
e me impediu a escravidão?
Não foste tu meu coração somente
ardendo numa chama inextinguível?
Jovem e  ingênuo eu tudo agradecia
àquele que no céu
dorme na ociosidade.

Como prestar-te honra? Mas por que?
Deste jamais alívio
aos oprimidos?
Já enxugaste as lágrimas
dos que são infelizes?

Formei um homem,
mas um homem afinal que só se curva
perante o Tempo e o Fado
que são tão meus senhores como teus.

 Pensaste tu talvez
que poderia desprezar a vida
e ao deserto fugir
porque nem todos
os meus sonhos floriram?

Aqui estou.
Homens faço segundo a minha imagem,
Homens que serão logo iguais a mim.
Divertem-se e padecem,
gozam e choram
mas não se renderão aos poderosos
como também eu nunca me rendi!

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