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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Ato
Penso: vivo e atento.
A calma, amante viva,
Meu vil tormento.
Acalma minh’alma
A musa nua, o falo rijo,
A pele escura.
A dor prometida,
A brasa dormida e
O gosto da lama
Seminal.
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
O Inferno Lírico de Badou Sarcass XI
Não me cobrem versos cálidos ou
Palavras suaves sobre uma vida feliz.
Eu não posso! Eu chafurdo na lama,
Na poeira que me faz humano, no sopro
Do nada que constrói meu ser.
Há muitos que cantam o pôr-do-sol,
É preciso que alguém cante o chão.
Não quero colecionar sorrisos imbecis
Para mostrar o quanto valho.
Não esperem um hálito fresco
Desta boca que cheira a merda.
sábado, 27 de setembro de 2014
Eu cantarei
Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
I
Eu cantarei,
Quando a manhã abrir as portas do meu esforço,
Eu cantarei,
Quando o alto-dia me fizer fechar os olhos,
Eu cantarei,
Quando o crepúsculo limar as arestas,
Eu cantarei,
Quando a noite entrar como a Imperatriz vencida
Eu cantarei a Tua Glória e o meu desígnio.
Eu cantarei
E nas estradas ladeadas por abetos,
Nas áleas dos jardins emaranhados,
Nas esquinas das ruas, nos pátios
Das casas-de-guarda,
A Tua Vitória entrará como um som de clarim
E o meu Desígnio espera-la-á sem segundo pensamento.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Salto No Escuro
Um belo poema de Ângelo Monteiro
Para o salto que anelo a vida é tanta
Que não conto no tempo o seu pulsar:
Pois o vento proclama o jogo errante
Com as flores e as nuvens ao passar.
No arremesso da corda para o salto
Pouco interessa aonde vá cair:
Se no mar ou no escuro firmamento
As estrelas e as ondas são porvir.
Digam o que disserem, a beleza
É inteligente e por isso não cansa:
E no jogo com ela só quem perde
É quem por medo foge e não avança.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Boas Bestas
Quero te assustar: dar a cara ao teu soco,
beijar teu rosto, beber teu suor,
amar teu ódio.
E, se um dia o tempo pesar,
estaremos juntos,
embrigados de um apetite
voraz, só então
Faremos a revolução.
The Dying Heart
“Time drops in decay,
Like a candle burnt out”
(Willian Butler Yeats)
Este coração que sangra agora,
Já não sangra por amor ou glória,
É o sangrar da enfermidade:
A Agonia da liberdade
No peito de quem chora.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
NUMA ESPERANÇA QUE RESULTOU VÃ
Um maravilhoso poema do Frei Luis de León
Foge, felicidade, de meu peito;
que engano te remete novamente
à fúria de um
passado sem proveito?
Guarda memória do tempo inclemente,
quando aos
olhos do povo, desterrada,
foste acusada repentinamente.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Badou às Portas Do Inferno
(ou Epitáfio Para A Esperança)
Cá está Badou, com o vento a soprar-lhe os cabelos.
Um homem cuja solidão violou o sacro tempo,
A quem a loucura tornou um deus de areia.
Sobrevivo ainda, é verdade: até quando?
Reconheço as desventuras, a vontade deles.
Sou Ulysses contra a fúria de um mar cor de vinho.
Minha odisseia urbana, meu tempo perdido:
Ando como um escravo que canta ao pensamento
O coro dos vencidos, suspiros pela pátria usurpada.
Poderá alguém dizer: “acaso deliras?”
Mas, no subsolo, Badou constrói sua torre de marfim,
Brada aos quatro ventos a mediocridade da raça.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Badou às portas do paraíso
"As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade."
Goethe
No caos em que choro
Meus deuses de outrora.
Ao distante céu imploro,
Rogo àquela musa ignara
Que pelos ares abandone
Um ou outro verso infame
Que faça, em Badou, o milagre
De enterrar a poesia certa,
Ainda que ele nunca espere
A porta do paraíso aberta.
Goethe
No caos em que choro
Meus deuses de outrora.
Ao distante céu imploro,
Rogo àquela musa ignara
Que pelos ares abandone
Um ou outro verso infame
Que faça, em Badou, o milagre
De enterrar a poesia certa,
Ainda que ele nunca espere
A porta do paraíso aberta.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Eles, os medíocres
Quem, calado, abomina
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!
domingo, 9 de junho de 2013
O Inferno Lírico de Badou Sarcass X
Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Momento
Um poema de Hélio Pellegrino
Oh! A resignação das coisas paradas,
grávidas de silêncio, reverentes,
em sua geometria sem jactância!
A placidez das ruas acolchoadas
contra a dura cintilação do dia;
o recato das árvores, a prece
das esquadrias de alumínio ionizado
na fachada do edifício em frente!
Todas as coisas - em clausura - cumprem votos,
enquanto a vã filosofia do século
pensa que move o mundo.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
The Second Coming (A Segunda Vinda)
Um Poema de Willian Butler Yeats
THE SECOND COMING
TURNING and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.
Surely some revelation is at hand;
Surely the Second Coming is at hand.
The Second Coming! Hardly are those words out
When a vast image out of Spiritus Mundi
Troubles my sight: somewhere in sands of the desert
A shape with lion body and the head of a man,
A gaze blank and pitiless as the sun,
Is moving its slow thighs, while all about it
Reel shadows of the indignant desert birds.
The darkness drops again; but now I know
That twenty centuries of stony sleep
Were vexed to nightmare by a rocking cradle,
And what rough beast, its hour come round at last,
Slouches towards Bethlehem to be born?
Tradução:
A SEGUNDA VINDA
GIRANDO e girando na espiral que se amplia
O falcão não consegue ouvir o falcoeiro;
As coisas dissolvem-se; o centro não segura;
A mera anarquia é dissipada para o mundo,
A maré escura de sangue é perdida, e em qualquer lugar
A cerimónia da inocência se afunda;
Aos melhores lhes falta toda a convicção, enquanto os piores
Estão plenos de intensidade apaixonada.
Certamente alguma revelação estará à mão;
Certamente A Segunda Vinda estará à mão.
A Segunda Vinda! Mal saem estas palavras
e uma larga imagem vinda do Spiritus Mundi
Perturba a minha visão: algures nas areias do deserto
Uma forma com corpo leonino e cabeça de homem,
Um olhar fixo em branco e impiedoso como o sol,
Faz mover-lhe as coxas lentas, enquanto sobre ela
Oscilam sombras de pássaros indignados do deserto.
A escuridão cai de novo; mas agora sei
Que vinte séculos de um sono pedregroso
Se precipitaram no pesadelo por um berço que embala.
E qual besta em fúria, a sua hora vem por fim,
Arrastar-se-á até Belém para nascer?
Tradução de Pedro Calouste
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
O Inferno Lírico de Badou Sarcass X
Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
sábado, 14 de julho de 2012
Eles, os medíocres
Quem, calado, abomina
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe que o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe que o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!
O Inferno Lírico de Badou Sarcass X
Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
O Espectro
Por Bruno Tolentino
(A Ivan Junqueira)
Não há como agarrar-te à natureza
quando a asa da noite baixa e faz
a sombra sobre a acha, a lenha presa
quando a asa da noite baixa e faz
a sombra sobre a acha, a lenha presa
à luz da labareda que a desfaz;
morres despreparado ou morres bem,
mas passas pela cinza, meu rapaz.
morres despreparado ou morres bem,
mas passas pela cinza, meu rapaz.
Tudo talvez ressurja mais além,
mas ao abutre, albatroz, águia ou condor
o vôo acaba por pesar e tem
mas ao abutre, albatroz, águia ou condor
o vôo acaba por pesar e tem
que perder altitude no esplendor:
dos páramos à esteira de uma nave
estende-se a amplidão, mas sem repor
dos páramos à esteira de uma nave
estende-se a amplidão, mas sem repor
fôlego a um coração até que a ave
recolha a asa e pronto, se acabou,
foi-se o que era tão doce! Tão suave
recolha a asa e pronto, se acabou,
foi-se o que era tão doce! Tão suave
levitou-se e mais nada lembra o vôo...
Nada, nem mesmo a terra, eqüidistante
do que caiu como do que voltou,
Nada, nem mesmo a terra, eqüidistante
do que caiu como do que voltou,
com uma equanimidade impressionante.
E caso a interpelassem que diria?
Nada outra vez, ou menos que o ex-amante
E caso a interpelassem que diria?
Nada outra vez, ou menos que o ex-amante
fingindo-se impassível se algum dia
ouve dizer que tudo acaba assim.
Pois foi assim que o espectro da poesia
ouve dizer que tudo acaba assim.
Pois foi assim que o espectro da poesia
surgiu-me um belo dia, e veio a mim
assim que eu consegui levar a sério
os canteiros de Kant num jardim
assim que eu consegui levar a sério
os canteiros de Kant num jardim
à beira Tâmisa, ante um cemitério...
Lá estivera eu de mão no queixo
a espanar as lombadas do mistério,
Lá estivera eu de mão no queixo
a espanar as lombadas do mistério,
seguindo a lógica ao seu belo fecho:
afinal, se a equação mais arbitrária
conseguiria amarrar a terra a um eixo,
afinal, se a equação mais arbitrária
conseguiria amarrar a terra a um eixo,
qualquer cogitação imaginária
não seria nem mais nem menos frágil;
divagações da hora solitária,
não seria nem mais nem menos frágil;
divagações da hora solitária,
arabescos da mente, sempre ágil
ao fazer de um trapézio o seu lugar.
Pois foi então que, assim como um presságio
ao fazer de um trapézio o seu lugar.
Pois foi então que, assim como um presságio
obriga a respirar mais devagar,
mas faz bater mais forte o coração,
mas faz bater mais forte o coração,
eu primeiro senti aquele olhar
Bruno Tolentino
Bruno
Lúcio de Carvalho Tolentino (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1940 — São
Paulo, 27 de junho de 2007) foi um poeta brasileiro.
Nascido
numa tradicional e rica família carioca, conviveu desde criança com
intelectuais e escritores, entre eles Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos
Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Primo do crítico literário brasileiro
Antonio Candido e da crítica teatral Bárbara Heliodora, seu avô foi conselheiro
do Império e fundador da Caixa Econômica Federal. Nesse ambiente familiar, foi
instruído em inglês e francês ao mesmo tempo de sua alfabetização no português.
Publica
em 1963 seu primeiro livro, "Anulação e outros reparos". Com o
advento do golpe militar de 1964, muda-se para a Europa a convite do poeta
Giuseppe Ungaretti, onde viverá 30 anos, tendo residido na Itália, Bélgica,
Inglaterra e França. Foi professor de literatura nas universidades de Oxford,
Essex e Bristol e tradutor-intérprete junto à Comunidade Econômica Européia. Publica
em 1971, em língua francesa, o livro "Le vrai le vain" e, em 1979, em
língua inglesa, "About the Hunt", ambos bem recebidos pela crítica
literária européia. Sucedeu o poeta e amigo W. H. Auden na direção da revista
literária Oxford Poetry Now.
Em 1987,
sob a acusação de porte de drogas, é condenado a 11 anos de prisão. Cumpriu
apenas pouco mais de um ano da pena, em Dartmoor, no Reino Unido. "Adorei
e procurei tirar o máximo de proveito", foi o que Bruno declarou sobre a
experiência, numa entrevista em agosto de 2006. Aos companheiros de prisão,
organizou aulas de alfabetização e de literatura, estas últimas nomeadas de
"Seminars of Drama and Literature", que, conforme posteriormente
relatado por Bruno, "em cujas sessões avançadas chegaram a comparecer psicanalistas
de renome, ao lado de personalidades do mundo das Letras tais como Harold
Carpenter, o estudioso e biógrafo de Pound e Auden, o dramaturgo Harold Pinter,
ou Lady Antonia Fraser".
Tolentino
retorna ao Brasil em 1993, publicando, no ano seguinte, o livro "As horas
de Katharina", escrito durante o período de 22 anos (1971-1993), ganhando
com ele o Prêmio Jabuti de melhor livro de poesia. Em 1995, publica "Os
Sapos de Ontem", uma coletânea de textos, artigos e poemas originados de
uma polêmica intelectual com os irmãos Haroldo de Campos e Augusto de Campos,
que nesse livro serão os principais alvos de sua "língua ferina entortada
pelo vício da ironia", frase que Bruno usou durante uma entrevista em que
lhe foi pedido "um perfil abrangente de si mesmo". Ainda em 1995
publica "Os Deuses de Hoje", e, em 1996, "A balada do
cárcere", livro nascido da experiência de sua prisão pouco menos de dez anos
antes. Ainda nesse ano, foi publicada uma polêmica entrevista com Bruno para a
Revista Veja[4], onde o poeta critica, entre outras coisas, a atual situação
intelectual do Brasil, o Concretismo, a concepção e aceitação da letra de
música enquanto poesia e a elevação de músicos populares à posição do
intelectual.
Bruno
irá publicar em 2002 e 2006, respectivamente, os livros que considerou como a
culminação de sua obra poética: "O mundo como Idéia", escrito durante
40 anos (1959-1999), e "A imitação do amanhecer", escrito durante 25
anos (1979-2004). Ambos lhe renderam o Prêmio Jabuti, prêmio já alcançado em
1993 com "As horas de Katharina", tornando-o assim o único escritor a
ganhar três edições do prêmio. Bruno também recebeu, por "O mundo como
Idéia", o Prêmio Senador José Ermírio de Morais, prêmio nunca antes dado a
um escritor, em sessão da Academia Brasileira de Letras, com saudação proferida
pelo acadêmico, filósofo, poeta e teórico do Direito Miguel Reale, seu amigo.
Tolentino,
que tinha Aids e já havia superado um câncer, esteve internado durante um mês
na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo,
onde veio a falecer, aos 66 anos de idade, vitimado por uma falência múltipla
de órgãos, em 27 de junho de 2007.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Epitalâmio
![]() |
| Dante Gabriel Rossetti - The Wedding of St. George and Princess Sabra (1857. Tate Gallery, London) |
Por Bruno Tolentino
“Fica a alma curvada
sobre o esfarelamento
das palavras. Algumas
lhe hão de ser devolvidas
ao final. Quanto ao pão
que seria o alimento
e ficou sendo a fome,
mal fora dado ao homem
vertiginoso instante.
O corpo chama o amante
a partilhar seu leito,
justificar a mesa
e rituar o pão;
a alma, impartilhável,
canta e retorna à jaula.
E a ti, que parte toca
nessa partilha, ó fabula,
o beijo em tua boca
pode nutrir o grão?”
segunda-feira, 19 de março de 2012
The Dying Heart
“Time drops in decay,
Like a candle burnt out”
(Willian Butler Yeats)
Este coração que sangra agora,
Like a candle burnt out”
(Willian Butler Yeats)
Este coração que sangra agora,
Já não sangra por amor ou glória,
É o sangrar da enfermidade:
A Agonia da liberdade
No peito de quem chora.
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