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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Ato



Penso: vivo e atento.
A calma, amante viva,
Meu vil tormento.

Acalma minh’alma
A musa nua, o falo rijo,
A pele escura.

A dor prometida,
A brasa dormida e
O gosto da lama

Seminal.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O Inferno Lírico de Badou Sarcass XI






Não me cobrem versos cálidos ou
Palavras suaves sobre uma vida feliz.
Eu não posso! Eu chafurdo na lama,
Na poeira que me faz humano, no sopro
Do nada que constrói meu ser.
Há muitos que cantam o pôr-do-sol,
É preciso que alguém cante o chão.
Não quero colecionar sorrisos imbecis
Para mostrar o quanto valho.
Não esperem um hálito fresco
Desta boca que cheira a merda.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Critério Idiota

O que está havendo com o mundo? Ao invés de julgarmos as pessoas por seus méritos, estamos julgando pelo seu nível de “coitadisse”: quanto mais o sujeito é um “coitado” mais ele parece ser digno de todas as honras. Não há nenhuma grandeza em ser miserável, como muitos parecem acreditar. Vale lembrar o trecho de Bertolt Brecht:

“Não há sentido na nossa miséria; fome não é prova de fortaleza, é apenas não ter comido!... Esforço não é vergar as
costas e arrastar, não é mérito!...
A miséria não é condição das virtudes, meus amigos!... E não me venham com a beleza das riquezas que fomos capazes
de produzir!...
Se a nossa gente fosse abastada e feliz, aprenderia as virtudes da abastança e da felicidade. Mas hoje, as virtudes dos
pobres nascem... da pobreza!
Eu abomino isso! Sim, abomino! Ou vocês querem que eu minta a nossa gente?”

Pena que as esquerdas de nossos dias tenham descoberto muitas “virtudes” na miséria e façam de tudo para mantê-la e até para elevá-la à categoria de critério último de julgamento. Esse critério ainda nos levará a afirmar que qualquer garoto que batuque um tambor é mais importante que Beethoven.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Bakunin contra Marx



“(...)  os marxistas dizem que esta minoria será formada por trabalhadores. Sem dúvida se tratará de antigos trabalhadores que, uma vez que se convertam em governantes ou representantes do povo, deixam de ser trabalhadores e começam a olhar com desdém para a classe trabalhadora desde o ponto de vista da autoridade de estado, pois representam não o povo, mas sim a eles mesmos e seu próprio desejo de governar os demais. Qualquer um que duvide disso não sabe nada da natureza humana... Os termos “socialista científico” e “socialismo científico”, que  encontramos incessantemente na obra de lassalianos e marxistas, bastam para provar que o denominado governo do povo não será mais que um despotismo sobre as massas, exercido por uma nova e pequena aristocracia de reais ou falsos “cientistas”. O povo, inculto, estará completamente isento da tarefa de governar e se verá forçado a formar parte do rebanho dos governados. Pequena emancipação!... Eles (os marxistas) pensam que só uma ditadura, a sua por suposto, pode trazer a liberdade ao povo;  nós respondemos que uma ditadura no pode ter outro fim que perpetuar-se a si mesma, e que não pode engendrar nada além de escravidão no povo a ela submetido. A liberdade só pode criar-se a partir da liberdade, ou seja, a partir de todo o povo e pela livre organização das massas trabalhadoras desde baixo”. ( Bakunin, Estatismo y anarquia. Citado por  Leszek Kolakowski em Las principales corrientes del marxismo. Tradução de Badou Sarcass)

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Boas Bestas







Quero te assustar: dar a cara ao teu soco,
beijar teu rosto, beber teu suor,
amar teu ódio.
E, se um dia o tempo pesar,
estaremos juntos,
embrigados de um apetite
voraz, só então
Faremos a revolução.

The Dying Heart



“Time drops in decay,
Like a candle burnt out”
(Willian Butler Yeats)

 
Este coração que sangra agora,
Já não sangra por amor ou glória,
É o sangrar da enfermidade:
A Agonia da liberdade
No peito de quem chora.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Badou às Portas Do Inferno


(ou Epitáfio Para A Esperança)

Cá está Badou, com o vento a soprar-lhe os cabelos.
Um homem cuja solidão violou o sacro tempo,
A quem a loucura tornou um deus de areia.

Sobrevivo ainda, é verdade: até quando?
Reconheço as desventuras, a vontade deles.
Sou Ulysses contra a fúria de um mar cor de vinho.

Minha odisseia urbana, meu tempo perdido:
Ando como um escravo que canta ao pensamento
O coro dos vencidos, suspiros pela pátria usurpada.

Poderá alguém dizer: “acaso deliras?”
Mas, no subsolo, Badou constrói sua torre de marfim,
Brada aos quatro ventos a mediocridade da raça.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Badou às portas do paraíso





"As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade."
Goethe

No caos em que choro
Meus deuses de outrora.
Ao distante céu imploro,
Rogo àquela musa ignara
Que pelos ares abandone
Um ou outro verso infame
Que faça, em Badou, o milagre
De enterrar a poesia certa,
Ainda que ele nunca espere
A porta do paraíso aberta.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Eles, os medíocres




Quem, calado, abomina
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!

domingo, 9 de junho de 2013

O Inferno Lírico de Badou Sarcass X


Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Inferno Lírico de Badou Sarcass X



Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.

sábado, 14 de julho de 2012

Eles, os medíocres





Quem, calado, abomina
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe que o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!

O Inferno Lírico de Badou Sarcass X







Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.

segunda-feira, 19 de março de 2012

The Dying Heart



“Time drops in decay,
Like a candle burnt out”

(Willian Butler Yeats)

Este coração que sangra agora,
 
Já não sangra por amor ou glória,
 
É o sangrar da enfermidade:
 
A Agonia da liberdade
 
No peito de quem chora.

sábado, 10 de março de 2012

Badou às portas do inferno (ou Epitáfio para a esperança)

A Porta do Inferno – Auguste Rodin – Museu d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil


Cá está Badou, com o vento soprando os cabelos.

Um homem cuja solidão violou o sacro tempo,

A quem a loucura tornou um deus de areia.



Sobrevivo ainda, é verdade: até quando?

Reconheço as desventuras, a vontade deles.

Sou Ulysses contra a fúria de um mar cor de vinho.



Minha odisséia urbana, meu tempo perdido:

Ando como um escravo que canta ao pensamento

O coro dos vencidos, suspiros pela pátria usurpada.



Poderá alguém dizer: “acaso deliras?”

Mas, no subsolo, Badou constrói sua torre de marfim,

Brada aos quatro ventos a mediocridade da raça.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Badou às portas do paraíso

As Portas do Paraíso, Lozenzo Ghiberti (séc. XV)
"As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade."
Goethe

No caos em que choro
Meus deuses de outrora.
Ao distante céu imploro,
Rogo àquela musa ignara
Que pelos ares abandone
Um ou outro verso infame
Que faça, em Badou, o milagre
De enterrar a poesia certa,
Ainda que ele nunca espere
A porta do paraíso aberta.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Eles, os medíocres



Quem, calado, abomina
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe que o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Inferno Lírico de Badou Sarcass X



Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
 
Religiosamente ateu...
 
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
 
Ou talvez, da vida plena.
 
Eu, amante do demônio,
 
No qual não acredito nem um pouco.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Inferno Lírico de Badou Sarcass IX




Não existem palavras,
Só algo impossível.
Não existe ser ou nada,
Só Badou Sarcass, o infame.
Preso entre a vida e o homem,
Entre aqui e outro lugar.
Badou, inimigo de todo cinismo...
Douto na arte da loucura lúcida...
Através de todos os infernos
Sobrevivo até o limite das possibilidades.
Até além, se possível.
-A verdade está algures,
não aqui Badou.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Inferno Lírico de Badou Sarcass VIII






Cá está Badous Sarcass..
Só, completamente Só..
Que fazer dessa Solidão?
Um poema?
Uma prece?
Talvez uma vida...
Mas não tu Badous Sarcass

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