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terça-feira, 29 de outubro de 2013
Boas Bestas
Quero te assustar: dar a cara ao teu soco,
beijar teu rosto, beber teu suor,
amar teu ódio.
E, se um dia o tempo pesar,
estaremos juntos,
embrigados de um apetite
voraz, só então
Faremos a revolução.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Badou às Portas Do Inferno
(ou Epitáfio Para A Esperança)
Cá está Badou, com o vento a soprar-lhe os cabelos.
Um homem cuja solidão violou o sacro tempo,
A quem a loucura tornou um deus de areia.
Sobrevivo ainda, é verdade: até quando?
Reconheço as desventuras, a vontade deles.
Sou Ulysses contra a fúria de um mar cor de vinho.
Minha odisseia urbana, meu tempo perdido:
Ando como um escravo que canta ao pensamento
O coro dos vencidos, suspiros pela pátria usurpada.
Poderá alguém dizer: “acaso deliras?”
Mas, no subsolo, Badou constrói sua torre de marfim,
Brada aos quatro ventos a mediocridade da raça.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Badou às portas do paraíso
"As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade."
Goethe
No caos em que choro
Meus deuses de outrora.
Ao distante céu imploro,
Rogo àquela musa ignara
Que pelos ares abandone
Um ou outro verso infame
Que faça, em Badou, o milagre
De enterrar a poesia certa,
Ainda que ele nunca espere
A porta do paraíso aberta.
Goethe
No caos em que choro
Meus deuses de outrora.
Ao distante céu imploro,
Rogo àquela musa ignara
Que pelos ares abandone
Um ou outro verso infame
Que faça, em Badou, o milagre
De enterrar a poesia certa,
Ainda que ele nunca espere
A porta do paraíso aberta.
domingo, 9 de junho de 2013
O Inferno Lírico de Badou Sarcass X
Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
O Inferno Lírico de Badou Sarcass X
Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
segunda-feira, 19 de março de 2012
The Dying Heart
“Time drops in decay,
Like a candle burnt out”
(Willian Butler Yeats)
Este coração que sangra agora,
Like a candle burnt out”
(Willian Butler Yeats)
Este coração que sangra agora,
Já não sangra por amor ou glória,
É o sangrar da enfermidade:
A Agonia da liberdade
No peito de quem chora.
sábado, 10 de março de 2012
Badou às portas do inferno (ou Epitáfio para a esperança)
| A Porta do Inferno – Auguste Rodin – Museu d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil |
Cá está Badou, com o vento soprando os cabelos.
Um homem cuja solidão violou o sacro tempo,
A quem a loucura tornou um deus de areia.
Sobrevivo ainda, é verdade: até quando?
Reconheço as desventuras, a vontade deles.
Sou Ulysses contra a fúria de um mar cor de vinho.
Minha odisséia urbana, meu tempo perdido:
Ando como um escravo que canta ao pensamento
O coro dos vencidos, suspiros pela pátria usurpada.
Poderá alguém dizer: “acaso deliras?”
Mas, no subsolo, Badou constrói sua torre de marfim,
Brada aos quatro ventos a mediocridade da raça.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Badou às portas do paraíso
![]() |
| As Portas do Paraíso, Lozenzo Ghiberti (séc. XV) |
"As palavras do poeta volteiam incessantemente em redor das portas do paraíso e batem implorando a imortalidade."
Goethe
No caos em que choro
Meus deuses de outrora.
Ao distante céu imploro,
Rogo àquela musa ignara
Que pelos ares abandone
Um ou outro verso infame
Que faça, em Badou, o milagre
De enterrar a poesia certa,
Ainda que ele nunca espere
A porta do paraíso aberta.
Meus deuses de outrora.
Ao distante céu imploro,
Rogo àquela musa ignara
Que pelos ares abandone
Um ou outro verso infame
Que faça, em Badou, o milagre
De enterrar a poesia certa,
Ainda que ele nunca espere
A porta do paraíso aberta.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Eles, os medíocres
Quem, calado, abomina
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe que o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!
Os fazeres do homem
Medíocre que parte para
A luta e leva no rosto
A poeira do chão,
Sabe que o que é
Ser maior de espírito
Contra míseros corvos
Que usurpam eternidade.
Badou percorreu casas,
Adentrou mulheres,
Violou virgens pelos quatro
Cantos da vida eterna:
Amém!
sábado, 11 de fevereiro de 2012
O Inferno Lírico de Badou Sarcass X
Eu, Badou Sarcass, anarquicamente único,
Religiosamente ateu...
Vivo como se estivesse às vésperas da morte,
Ou talvez, da vida plena.
Eu, amante do demônio,
No qual não acredito nem um pouco.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
O Inferno Lírico de Badou Sarcass IX
Não existem palavras,
Só algo impossível.
Não existe ser ou nada,
Só Badou Sarcass, o infame.
Preso entre a vida e o homem,
Entre aqui e outro lugar.
Badou, inimigo de todo cinismo...
Douto na arte da loucura lúcida...
Através de todos os infernos
Sobrevivo até o limite das possibilidades.
Até além, se possível.
-A verdade está algures,
não aqui Badou.
Só algo impossível.
Não existe ser ou nada,
Só Badou Sarcass, o infame.
Preso entre a vida e o homem,
Entre aqui e outro lugar.
Badou, inimigo de todo cinismo...
Douto na arte da loucura lúcida...
Através de todos os infernos
Sobrevivo até o limite das possibilidades.
Até além, se possível.
-A verdade está algures,
não aqui Badou.
Por Badou Sarcass
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O Inferno Lírico de Badou Sarcass VIII
Cá está Badous Sarcass..
Só, completamente Só..
Que fazer dessa Solidão?
Um poema?
Uma prece?
Talvez uma vida...
Mas não tu Badous Sarcass
Só, completamente Só..
Que fazer dessa Solidão?
Um poema?
Uma prece?
Talvez uma vida...
Mas não tu Badous Sarcass
Passo Em Falso (ou A Cara No Chão)
“Acho que sei, afinal, a que vim.
E já me vou. Uma pena.
Não há mais tempo pra mim”
Darcy Ribeiro
Por Badou Sarcass
E já me vou. Uma pena.
Não há mais tempo pra mim”
Darcy Ribeiro
Por Badou Sarcass
Amanhece: chuvosa alvorada. À beira da estrada, um homem parado, caído, bêbado. Com a cara mergulhada em poças d’água, lutando para não se afogar. Sentindo os sussurros do dia anterior dizendo tudo o que ele nunca quis ouvir. “Enlouqueci?”, pensou. A realidade inteira, travestida em gotas de chuva, dizia que não e fazia com que doesse fundo cada palavra lembrada, como se fosse uma certeza ouvida.
Escuta passos. Passos pesados, que mergulham no abismo, chafurdando na água que cobre toda a estrada. Aproximam-se sapatos escuros na direção de seus olhos. “Doutor Camilo?”, uma voz grave, “Doutor Camilo?”. Erguendo a face e fazendo um grande esforço para não engolir água, consegue finalmente balbuciar: “Sim, sou eu”. “Procurava-o faz tempo, doutor, poderia vir comigo?”. “Mas quem é o senhor?”, retrucou o bêbado com a voz um pouco mais firme. “O que deseja? Não vê que preciso ficar sozinho?”. “É absolutamente necessário que me siga, doutor. Uma questão de vida ou morte”, disse o homem numa espécie de súplica. “Ajude-me a levantar, não me sinto bem, como pode perceber”, observou Camilo, enquanto se esforçava por movimentar-se. Enfim se pôs de pé.
Começava então a se lembrar da noite anterior, da noite que o trouxe até ali. Era seu aniversário, uma festa: todos os familiares e amigos celebrando o prolongamento gorduroso e estéril da vida, comemorando o futuro. Desde a manhã ele sabia que a doença estava ali. Havia entrado em seu corpo, silenciosamente, e devorava pouco a pouco seus pulmões. Fumou como nunca naquele dia, antes de anoitecer terminou o terceiro maço de cigarros. “Sou um médico”, pensou, “a morte é inexorável e eu bem devia saber disso”. Por volta das nove horas, chegou, enfim, em casa. Levava na boca o sabor agridoce da palavra “fim”. Agora, lembrava-se de ter começado a beber algo forte, um uísque talvez. E via os rostos, felizes e solícitos, implorando por um aceno com a cabeça ou um aperto de mão. Pensava em Tchekhov, pensava em Freud: “como morreram?”, perguntava-se. Em apenas alguns minutos toda a sua agonia exibiu-se como um filme em sua cabeça. Sentiu nojo. Resmungou para algum amigo umas palavras amargas e saiu da casa, do universo. Pensava, àquela altura, em como era terrível envelhecer, em quantas escolhas havia feito, em quantas mulheres poderia ter tido. “Que vida!”, pensava. “E agora? Tenho cinquenta anos e uma imensa pressa de viver e já não posso mais me dar ao luxo de ser familiar, de ser trivial como todos os outros.”
A cada copo o mundo passava; era amado em cada trago. Chegava ao fim a idade da razão. Absolutamente não podia dizer de si mesmo que foi homem. Não foi. Foi mísero e mesquinho e gostaria de gritar isso aos quatro ventos. Gostaria de impor sua vontade a Deus e dizer a Ele que fosse embora e deixasse que a vida corresse solta, sem saber da morte. Bebeu e bebeu. E agora aquele homem o recolhia na sarjeta e precisava dele, de sua ciência. “É tudo vaidade!”, Lembrava-se da exclamação de Fausto. Também ele era Fausto, mas sem um Mefisto que o fizesse sonhar. Já não desejava viver, não com o fim a assombrar-lhe diariamente os sonhos, não "com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens"*. Continuou, com muito esforço, a caminhada, como se carregasse a finitude do universo nos ombros. “Todos falharam”, pensou consigo mesmo, ao contemplar aquele amanhecer chuvoso. Quando era jovem seu Deus morreu. Adulto e médico, a ciência só ofereceu-lhe abismos. Há pouco tempo tinha se refugiado na arte, a derradeira metafísica para as almas inquietas. Mas foi tudo desespero. O sabor do nada começa a insinuar-se na boca dos homens ao mesmo tempo em que as rugas iniciam sua existência no rosto. O conhecimento vai se provando cada vez mais humano e, como humano, mais inútil. Ele já não tinha convicções e aquele homem cheio de vida e fé o arrastava cada vez mais rápido. “Um caso de vida ou morte”, pensou. “Todos tem um caso de vida ou morte, por que ficam tão chocados? Só querem saber de seus casos, como se valessem algo. São seres cheios de uma urgência estúpida e não percebem o quão ridículos parecem”. Preferia estar entre as coisas naquele momento, estar longe de tudo o que é vivo, longe da sujeira da vida.
“A eternidade ou o nada!”, gritou enquanto escapava dos braços daquele sujeito, que era limpo demais, e se atirou no meio da estrada, com a cara no chão, desejando ardentemente um desaparecer do tempo. Mas nenhum carro passou.
*Fernando Pessoa – “Tabacaria”
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
O Inferno Lírico de Badou Sarcass VII
Badous Sarcass: um mito infame.
Fonte de toda alegria e de toda dor...
Herdeiro do absurdo de nossa existência...
Fonte de toda alegria e de toda dor...
Herdeiro do absurdo de nossa existência...
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O Inferno Lírico de Badou Sarcass V
Retorno a mim mesmo após penosa viagem.
Conheci os homens e suas teorias, psiquiatrias, idolatrias.
Agora encontro conforto em minha doce embriaguez lúcida.
Estar só... é como tocar o veludo.
Pensar por si mesmo é ser um louco, é não pensar...
Eu penso por todos, penso por Deus.
Minha entrega é total.
Naquelas vidas há muito perdidas eu vi algo de novo,
Não eram apenas passado, eram também porvir.
Mas foi essa visão, essa visão, Deus meu!
Perdeu-me para sempre....
Tornei-me insano.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
O Inferno Lírico de Badou Sarcass II
Um trago casto invejável,
Areias de minha solidão infame.
Afogo-me neste mundo em transe,
Pronto para deixar de existir...
domingo, 15 de maio de 2011
In The Begining
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