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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

PEC de cu é rola


Uma visão muito bem humorada das "jornadas de junho", por Paulo Bono do blog Espalitando Dente



Foi tudo muito rápido. Eu estava em casa com o peito cheio de dor e gases. Estrangulava a tarde com bobagens na internet enquanto aguardava por um maldito arroto. Foi quando vi esse vídeo do Pelé dizendo para esquecermos as manifestações e apoiarmos o time do Felipão. Só mesmo a Xuxa para dar a buceta a um cara desses. De alguma forma, aquele vídeo me fez mal. Então peguei o telefone, liguei pro Guismo e disse – “Tô dentro”. Bati a porta e desci a rua. Passei num desses armarinhos coloridos e pedi uma cartolina e uma caneta Piloto. Escrevi a frase enquanto a putinha do balcão observava suas unhas. “Só se fala nesse protesto” – ela disse – “mas é contra o quê mesmo?”. Eu disse – “Vamos fuder a bastilha, baby!”. Depois peguei um ônibus e logo estava no Campo Grande já arrependido de ter deixado meu sofá para trás.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fábula dos Dois Leões




Diz que eram dois leões que fugiram do Jardim Zoológico. Na hora da fuga cada um tomou um rumo, para despistar os perseguidores. Um dos leões foi para as matas da Tijuca e outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões de todo jeito mas ninguém encontrou. Tinham sumido, que nem o leite.

Vai daí, depois de uma semana, para surpresa geral, o leão que voltou foi justamente o que fugira para as matas da Tijuca. Voltou magro, faminto e alquebrado. Foi preciso pedir a um deputado do PTB que arranjasse vaga para ele no Jardim Zoológico outra vez, porque ninguém via vantagem em reintegrar um leão tão carcomido assim. E, como deputado do PTB arranja sempre colocação para quem não interessa colocar, o leão foi reconduzido à sua jaula.

Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrava do leão que fugira para o centro da cidade quando, lá um dia, o bruto foi recapturado. Voltou para o Jardim Zoológico gordo, sadio, vendendo saúde. Apresentava aquele ar próspero do Augusto Frederico Schmidt que, para certas coisas, também é leão.

Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para as florestas da Tijuca disse pro coleguinha: — Puxa, rapaz, como é que você conseguiu ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com essa saúde? Eu, que fugi para as matas da Tijuca, tive que pedir arreglo, porque quase não encontrava o que comer, como é então que você... vá, diz como foi.

O outro leão então explicou: — Eu meti os peitos e fui me esconder numa repartição pública. Cada dia eu comia um funcionário e ninguém dava por falta dele.

—  E por que voltou pra cá? Tinham acabado os funcionários?

— Nada disso. O que não acaba no Brasil é funcionário público. É que eu cometi um erro gravíssimo. Comi o diretor, idem um chefe de seção, funcionários diversos, ninguém dava por falta. No dia em que eu comi o cara que servia o cafezinho... me apanharam.


Texto extraído do livro “Primo Altamirando e Elas”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1961, pág. 153.

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