Quadros de uma exposição (1873) de Modest Mussorgsky, com a orquestra filarmônica de Viena sob a regência do grande maestro Gustavo Dudamel. Uma dos grandes registros dessa obra tão importante da música moderna. Segundo Otto Maria Carpeaux "são peças poéticas, realistas, humorísticas ou patéticas, de linhas melódicas originalíssimas, ritmos irresistíveis, modos estranhos como saídos da memória atávica da gente russa". Vale lembrar que os "Quadros de uma exposição" foram compostos inicialmente para piano. Só muito mais tarde o compositor Maurice Ravel fez a orquestração da peça.
O modo como descrevemos a música pop prova que encontramos um significado moral na música. Como saber que tipo de música deveríamos ou não encorajar?
“Não se mudam os modos de se fazer poesia e música sem que haja mudanças nas leis mais importantes da cidade." Assim escreveu Platão em "A República" (4.442c). E Platão é famoso por ter apresentado o que é talvez a primeira teoria do caráter na música, propondo que se permitissem alguns modos e se proibissem outros, de acordo com o caráter que se ouvisse neles. Platão expõe o conceito de mimesis, ou imitação, para explicar por que um mal caráter na música encoraja um mal caráter em seus adeptos. O contexto sugere que ele tinham em mente o canto, a dança e as marchas e não a audição silenciosa que conhecemos da sala de concerto. Mas, independentemente de como preenchermos os detalhes, não há dúvidas de que a música, para Platão, era algo que podia ser julgado nos mesmos termos morais em que julgamos uns aos outros e que os termos em questão denotavam virtudes e vícios como a nobreza, a temperança e a castidade, de um lado, e a sensualidade, a beligerância e a indisciplina, do outro.
O argumento de Platão tinha em vista, não obras musicais individuais, mas modos. Não sabemos exatamente qual era o arranjo dos modos gregos; eles convencionalmente identificavam estilos, instrumentos e esquemas melódicos e rítmicos, bem como as notas da escala. Sem entrarmos no assunto, podemos nos arriscar a sugerir que Platão estava diferenciando entre estilos musicais reconhecíveis, como poderíamos diferenciar enteo jazz e o rock e ambos do clássico. E suas preocupações não eram muito diferentes das de uma pessoa moderna preocupada com o caráter e o efeito morais do death metal, digamos, ou okitsch musical do gênero de Andrew Lloyd Webber. "Será que nossos filhos deveriam escutar um troço destes?" Os adultos modernos se perguntam: "Será que nossa cidade deveria permitir um troço destes?" É claro que nós há muito desistimos da idéia de que se possam proibir por lei certos tipos de música. Entretanto, devemos nos lembrar de que esta idéia tem uma longa história e foi um fator decisivo na evolução das igrejas cristãs, que são tão censoriais com a música litúrgica quanto com as letras litúrgicas e, na verdade, pouco distingue entre elas.
Vejam essa excelente interpretação da peça de Villa-Lobos tocada pelo violeiro Mazinho Quevedo no programa viola minha viola: para fazer download da música em mp3 clique aqui